A Seleção Brasileira não se classificou entre as 4 melhores no mundial juvenil deste ano, realizado no Rio de Janeiro. Triste? Sim, mas não tanto quanto alguns jornalistas em seus blogs (e seus comentaristas seguidores) andam alardeando.
Entre os comentários pode-se ler que os garotos são grandes mas não são "jogueiros", que estamos criando novos "Vissottos" (como se ele já não tivesse provado seu valor como atleta, profissional e ser humano, não?), que o Bernardinho tem que dar vida longa ao Murilo, Sidão e Giba pois não dá pra contar com esses garotos.
Tudo isso não passa de visão distorcida de quem não conhece Voleibol, de quem não jogou Voleibol e de quem não trabalha com Voleibol. E conhece menos ainda o embasamento científico que existe na formação de atletas.
Alguns pontos importantes sobre tudo isso:
1- o autor deste blog ouviu da própria Carol Albuquerque, ex-levantadora da Seleção, que ser campeão nas categorias de base não dá referência precisa, uma vez que ela própria foi campeã mundial Infanto Juvenil como ATACANTE. E todos sabem que ela tornou-se uma grande LEVANTADORA, não?!
2- diante disso, os resultados de hoje não servem pra predizer o que esses garotos e essa geração alcançarão no futuro. Além disso, eles obtiveram 9º lugar no Mundial Infanto há 2 anos e agora entraram no grupo dos 8 melhores. Uma evolução, sem dúvida. Pequena, dirão alguns. Mas é uma evolução. Talvez o problema deles seja a instabilidade do desempenho, algo normal pra quem está amadurecendo motora e psicologicamente como esses garotos. Este blog pede para não se utilizar a bola de cristal, sob o risco de cometer uma baita injustiça.
3- parece que a ELITIZAÇÃO do Voleibol, caminho adotado pela CBV e federações está começando a cobrar um preço. Não dá pra formar de maneira constante, incessante jogadores de altíssimo nível, porque os fatores que permitem isso estão muito além do controle de quaisquer cientistas. Mesmo com material humano abundante (que é o caso do nosso país), seres humanos não são o objeto de estudo das Ciências Exatas.
A propósito, a elitização do Voleibol não é de autoria deste blog, ela é amplamente difundida entre profissionais e estudiosos renomados do Voleibol como os Profs. João Crisostomo Bojikian e Caca Bizzocchi.
Em suma, não parece ser preocupante no longo prazo o futuro das seleções masculinas brasileiras. Não há nada de muito ruim com essa geração que provavelmente vai carregar a cruel marca de não ser vencedora em meio a tantas outras que passaram e as que virão.
Esperamos que isso não aconteça e torcemos que esses atletas sigam de maneira positiva suas carreiras e suas vidas, que estão muito além do Voleibol e do Esporte.